quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Porto Alegre de quem?

Já faz quase uma década que vimos Porto Alegre abandonar a agenda da inclusão social, elencando novas prioridades que nada dialogam em avanços de direitos para a população.
Foram muitos os momentos onde a concepção de uma cidade voltada ao empresariado foi defendida pela administração municipal. Como a privatização de espaços públicos que limitaram o direito à cidade para a população, em especial a periferia. Temos como símbolo desta política a privatização do Araújo Viana, o debate do plano diretor da cidade, a transformação de espaços culturais em estacionamento (como no Largo Glênio Peres e Zumbi), e tantos outros. Com isso acabamos testemunhando diariamente a entrega da nossa cidade a especulação imobiliária, em detrimento dos trabalhadores.
Há ausência de políticas públicas que promovam a igualdade e emancipem as comunidades populares. O que vemos é a reprodução do clientelismo, uma das maiores chagas da política tradicional. Assim como as políticas higienistas que não compreendem as comunidades enquanto agentes com protagonismo na construção da cidade, casos como da Vila Liberdade e Chocolatão são singulares neste sentido.
Os povos tradicionais (quilombolas e comunidades indígenas) sofrem com a invisibilidade em nossa cidade. Invisibilidade esta que está a serviço da manutenção de privilégios para alguns.
Os espaços democráticos, de participação popular, da cidade perderam sua força política e caíram em descrença.
É fundante que Porto Alegre volte a ser dos porto-alegrenses, que volte a ter a agenda da inclusão social como prioridade. Quero uma cidade participativa, conectada as novas formas de organização social. Uma cidade que garanta acesso a cultura emancipando os jovens e a classe trabalhadora. É urgente que coloquemos na ordem no dia a pautas como a reforma urbana casada com a mobilidade urbana para que possamos ter um Porto Alegre interligada e para todos. 
Uma cidade humanizada que respeite, reconheça e valorize a diversidade!

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