Já
faz quase uma década que vimos Porto Alegre abandonar a agenda da
inclusão social, elencando novas prioridades que nada dialogam em
avanços de direitos para a população.
Foram muitos os momentos onde a concepção de uma cidade voltada ao
empresariado foi defendida pela administração municipal. Como a privatização de espaços públicos que limitaram o
direito à cidade para a população, em especial a periferia. Temos
como símbolo desta política a privatização do Araújo Viana, o
debate do plano diretor da cidade, a transformação de espaços
culturais em estacionamento (como no Largo Glênio Peres e Zumbi), e
tantos outros. Com isso acabamos testemunhando diariamente a entrega
da nossa cidade a especulação imobiliária, em detrimento dos
trabalhadores.
Há
ausência de políticas públicas que promovam a igualdade e
emancipem as comunidades populares. O que vemos é a reprodução do
clientelismo, uma das maiores chagas da política tradicional. Assim
como as políticas higienistas que não compreendem as comunidades
enquanto agentes com protagonismo na construção da cidade, casos
como da Vila Liberdade e Chocolatão são singulares neste sentido.
Os
povos tradicionais (quilombolas e comunidades indígenas) sofrem com
a invisibilidade em nossa cidade. Invisibilidade esta que está a
serviço da manutenção de privilégios para alguns.
Os
espaços democráticos, de participação popular, da cidade perderam
sua força política e caíram em descrença.
É
fundante que Porto Alegre volte a ser dos porto-alegrenses, que volte a
ter a agenda da inclusão social como prioridade. Quero uma cidade
participativa, conectada as novas formas de organização social. Uma
cidade que garanta acesso a cultura emancipando os jovens e a classe
trabalhadora. É urgente que coloquemos na ordem no dia a pautas como
a reforma urbana casada com a mobilidade urbana para que possamos ter
um Porto Alegre interligada e para todos.
Uma
cidade humanizada que respeite, reconheça e valorize a
diversidade!
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