Neste final de semana, 11, vimos mais uma cena de jovens sendo expulsos de forma violenta de um Shopping Center, desta vez foi em São Paulo. Após marcarem pela internet um evento chamado “rolezinho” dezenas de jovens, maioria da periferia, se encontraram no shopping JK Iguatemi. Porém acabaram “causando medo” nos lojistas e frequentadores. Para conter a situação a administração resolveu chamar a polícia militar que retirou os jovens a cacetadas e balas de borracha.
Os “rolezinhos” podem ser compreendidos como uma forma de
protesto através da ocupação de espaço. Estes shoppings, alguns próximos às
comunidades, são tomados por uma juventude que por sua vez vive em lugares que
não contém espaços de lazer e cultura. A massificada mobilização demonstra a insatisfação.
Mesmo essa juventude, filha da nova classe trabalhadora, tendo
acesso a bens de consumo expõe na ocupação de território o abismo social que
temos no país.
A criminalização destes jovens pela sua origem social, sua
cor e sua cultura funk, assegurado pela justiça denotam um novo apartheid. Pois foi
a justiça, tomada por uma compreensão elitista, quem permitiu que a entrada no
shopping pudesse ser selecionada, logo restringindo o acesso aos pobres e negros.
Estes jovens foram expulsos sem praticar nenhum ato de violência, sua simples presença
já os tornava um perigo em potencial.
É nesse cenário que vemos o quanto temos a caminhar para a
promoção da igualdade racial, combatendo o racismo institucional que fere e
mata todos os dias dezenas de jovens negros.

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