Talvez estes olhos não sejam similares aos
que lotaram as salas de cinema pelo Brasil. São olhos que já estiveram do outro
lado da porta da copa.
Comer as sobras do almoço de quem é servido; deixar seus
filhos em casa, muitas vezes sozinhos, para cuidar o filho de outra pessoa; viver
em um pequeno quarto quente, enquanto todos os outros cômodos da casa têm ar-condicionado;
estar vulnerável ao assédio; ser “como da família” sem ser; entre tantas outras
situações constrangedoras. Esta é a realidade sentida diariamente na pele pelos
mais de 6,4 milhões de empregados domésticos no Brasil, número segundo a Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
A classe média brasileira foi para frente da telona, elogiou
e criticou a diretora Anna Muylaert e a atriz e roteirista Regina Casé. Muitos artigos pularam em sua timeline
falando sobre a incapacidade da classe média brasileira limpar sua própria
sujeira. Do status social dado pela manutenção de uma trabalhadora doméstica em
sua residência. Ou mesmo da perversidade da relação entre patrões e empregados
domésticos. Mas quantas destas reflexões trouxeram mudanças nas vidas
privadas?
A mensagem deixada pelo filme é uma provocação a parte de
cima da pirâmide social do nosso país. A submissão provocada pelo trabalho
doméstico é um resquício escravocrata muito cruel. Desumaniza o indivíduo, usurpando
sua vida. Assim como nos permite questionar o modelo de trabalho dentro dos
marcos de um estado democrático de direito. Pois aqui ainda vivemos onde cada
um “nasce” com seu lugar destinado.
Minha felicidade é pertencer a uma geração que está reescrevendo esta história.
Minha felicidade é pertencer a uma geração que está reescrevendo esta história.

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