domingo, 9 de agosto de 2009

O Movimento dos Movimentos e o Governo Lula

A era lula nos trouxe avanços históricos que representaram e representarão mudanças bruscas na economia, na sociedade brasileira, no cenário político nacional e na organização dos movimentos sociais nas mais diferentes esferas.
Talvez a "mágica" esteja além de programas e projetos em beneficio do povo, mas também na forma como as relações são conduzidas. As relações com a base aliada, com a burguesia, com a imprensa, com movimentos sociais e com povo. Podemos classificar que o governo lula foi um governo progressista de mediação. Por exemplo, enquanto o governo Lula tem um ministério da Agricultura dirigido pelo ministro Reinhold Stephanes (PMDB-PR) o homem do agronegócio, tem o ministério do Desenvolvimento Agrário, dirigido pelo ministro Gulherme Cassel (PT-RS), é este o ministério que toca realmente nas pautas de reivindicações como a reforma agrária e lutas históricas dos movimentos populares como o MST.
Essa conjuntura acabou trazendo um cenário pra política totalmente diferenciado, chegamos a um patamar onde mais de 60% dos brasileiros são governistas, um presidente com 80% de aprovação, mais que seu próprio governo. São marcos que reconfiguraram as relações políticas, pois não imaginávamos como seria a chegada da esquerda no poder e como seria conduzido este projeto de socialismo no Brasil.
Mas quais as consequências desta nova conjuntura para o movimento? O saldo que temos quanto movimento é o de um grande refluxo. Este toma conta da nossa sociedade, até a juventude que sempre foi uma parcela mais fácil de estar mobilizada por sua rebeldia e criticidade natural hoje se encontra em outros espaços. Isso ocorre por vários motivos, muitos dos dirigentes que estavam na rua hoje tem a possibilidade de tornar suas reivindicação realidades estando do outro lado, algumas das pautas que mobilizavam antes hoje já foram atendidas, a população tem a sensação de participação e integração no governo e um outro grande fator é que a mobilização existente é fragmentada. As pessoas se amontoam em pequenos grupos alguns discutem e se mobilizam pela questão de gênero, outras pela questão igualdade racial, livre orientação sexual, etc.
Com essas novas características o que se apresenta para nós do Movimento Estudantil é um desafio, o de conseguirmos nos adaptar e adaptar a luta a esse novo momento. Rediscutir a forma de atuação do movimento estudantil se faz necessária, pois o movimento estudantil hoje já não responde a todas as necessidades dos nossos jovens, exemplo disso são as entidades gerais que acabam em geral falindo em sua função. O ME já deixa de ser atrativo até para os jovens estudantes, muitas vezes ficamos isolados no meio das universidades e escolas. É urgente uma nova concepção de movimento estudantil, repensarmos um movimento que consiga verdadeiramente organizar e estar na vida da classe estudantil.
Conseguirmos dar continuidade as lutas e continuar organizar os movimentos sociais para possamos continuar a avanças nas nossa pautas é nossa tarefa para construção do socialismo que tanto queremos.

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