Laura Sito
Estudante de Jornalismo UFRGS
Movimento Mudança
Movimento Mudança
“...escolhe sempre o primeiro
negro pra passar na revista
pra passar na revista
todo camburão tem um pouco de navio negreiro...”
O Rappa
negro pra passar na revista
pra passar na revista
todo camburão tem um pouco de navio negreiro...”
O Rappa
Essa
semana foi marcada por uma conjunção entre acontecimentos corriqueiros e
excepcionais. O ápice foi à morte de um jovem negro com um tiro pelas costas
que foi disparado por um policial militar. As circunstâncias ainda estão sendo
investigadas. O crime ocorreu na Vila Buraco Quente, morro Santa Tereza, zona
sul da capital. A indignação que tomou conta de sua comunidade fez este caso
deixar o anonimato
Vejo
no meu dia a dia a realidade que naturaliza a morte violenta dos nossos jovens.
Realidade que leva consigo os jovens negros como protagonistas de seus números
em todo país.
Moro
em uma comunidade da zona sul da capital, no bairro Cascata, uma região pobre e
batalhadora que muito lutou para ter condições minimamente dignas com água
potável, saneamento básico, transporte público e calçamento. Luta que permanece
viva, hoje por mais vagas na educação infantil, escolas, por praças, espaços de
lazer e paz. Nos últimos meses foram diversos os registros por aqui de
homicídios de jovens. Quase que em seu absoluto por relação com o tráfico de
drogas. Um ciclo vicioso de um ambiente onde os braços do Estado não chegam em
sua plenitude.
No
Brasil de 2002 à 2011 o número de homicídios de jovens negros subiu de 79,9%,
para 168,6%, segundo o Mapa da Violência de 2012; isso significa que a cada um
jovem branco assinado, 2,7% jovens negros foram vítimas de homicídio. É disso
que falamos quando afirmamos viver um estado de genocídio da juventude negra.
O
racismo é o cerne de nossa questão, provocando a partir dele diversas variáveis
que compõe este cenário de genocídio da juventude negra. Associar a pobreza
pura e simples não dá conta de conectar aos mecanismos de exclusão que o
racismo produz. Pois brancos e negros, mesmo quando em condições economicamente
similares, os negros aparecem em situação muito pior. Algo visível em alguns
dados: 73% da população mais pobre é negra, 74,9% das pessoas analfabetas são
negras, 62% das crianças fora da escola são negras, em média a renda dos negros
é 40% menor que a dos brancos. O que acaba materializando que as desigualdades
no país não podem ser vistas somente do prisma socioeconômico, mas também devem
ser vista do prisma sociocultural e étnico-racial.
O
racismo institucional é uma mazela central deste nosso debate. A violência
policial tem alvo certo nas periferias do Brasil, a cada 10 mortos por
policiais, 7 são negros. Além da população negra “colorir” o sistema
penitenciário, sendo negros 60% dos jovens presos; assim como no sistema
socioeducativo.
Portanto, não pode caber a nós o silêncio. Muitas
são as possibilidades de medidas que podem combater o genocídio. Como por
exemplo, dar fim aos autos de resistências, constituir uma nova política de
drogas, reformulação das polícias e não reduzir a maioridade penal. Entre
tantas outras ações que dever ocorrer concomitantemente. É preciso conter a
morte dos nossos jovens, para reescrevermos a nossa história com mais dignidade
e igualdade. Para isso é fundamental a responsabilização do Estado brasileiro,
é preciso agir!
