Acompanhando a caminhada pela implantação do sistema de cotas na
UFRGS, em 2005, comecei a entender a complexidade da luta política. Nesta
caminhada aprendi a ver quem são nossos inimigos e a importância da unidade em
torno da luta por igualdade e justiça. Lá aprendi também a grandiosidade e a
importância dos movimentos sociais, assim como a centralidade dos partidos
políticos.
Enquanto vivenciava isso a crise iniciada na reforma da
previdência, ampliada na saída de setores do PT para formar um novo partido, se
tornava mais intensa com as denuncias do mensalão. Eram avassaladoras as
contradições, ainda mais para alguém tão jovem.
Em meio a esse processo decidi ingressar no Colégio Júlio de
Castilhos, o Julinho, lá minha vida foi traçada.
Quando cheguei no Julinho, em 2006, me deparei com o grêmio
estudantil mais importante do estado sendo conduzido por estudantes ligados ao
PP e PMDB. Algo completamente fora da natureza histórica do movimento
estudantil do Julinho. Naquele mesmo ano tivemos eleições presidenciais e para
os governos estaduais, reelegemos Lula com a força do povo. Mas no Rio Grande
do Sul, por um “acidente” da direita gaúcha, Yeda se tornou governadora. Nós
estudantes secundaristas já estávamos mobilizados, sabíamos que viria um
processo de muito enfrentamento e assim foi.
No fim daquele ano tivemos a oportunidade de trocar a
direção do grêmio estudantil, tivemos uma chapa ampla, mas perdemos as
eleições.
As mobilizações em defesa da educação e a resistência à
cartilha neoliberal do governo Yeda me faziam ter mais certeza da importância
de se ter lado. Assim como ficava mais clara a importância de estarmos
organizados coletivamente para mudar o mundo.
No ano seguinte, ano que me tornaria presidente do Grêmio do
Julinho, fiz a opção de deixar ser apenas uma petista para me tornar do PT.
Optei por me filiar a um projeto político que mudava o país, que organizava os
trabalhadores e acolhia os movimentos sociais. Carregava comigo a certeza que
não poderia estar em outro lugar!

