sábado, 21 de junho de 2014

O meu desafio em oPTar por um partido político




Acompanhando a caminhada pela implantação do sistema de cotas na UFRGS, em 2005, comecei a entender a complexidade da luta política. Nesta caminhada aprendi a ver quem são nossos inimigos e a importância da unidade em torno da luta por igualdade e justiça. Lá aprendi também a grandiosidade e a importância dos movimentos sociais, assim como a centralidade dos partidos políticos.

Enquanto vivenciava isso a crise iniciada na reforma da previdência, ampliada na saída de setores do PT para formar um novo partido, se tornava mais intensa com as denuncias do mensalão. Eram avassaladoras as contradições, ainda mais para alguém tão jovem.

Em meio a esse processo decidi ingressar no Colégio Júlio de Castilhos, o Julinho, lá minha vida foi traçada.

Quando cheguei no Julinho, em 2006, me deparei com o grêmio estudantil mais importante do estado sendo conduzido por estudantes ligados ao PP e PMDB. Algo completamente fora da natureza histórica do movimento estudantil do Julinho. Naquele mesmo ano tivemos eleições presidenciais e para os governos estaduais, reelegemos Lula com a força do povo. Mas no Rio Grande do Sul, por um “acidente” da direita gaúcha, Yeda se tornou governadora. Nós estudantes secundaristas já estávamos mobilizados, sabíamos que viria um processo de muito enfrentamento e assim foi.
No fim daquele ano tivemos a oportunidade de trocar a direção do grêmio estudantil, tivemos uma chapa ampla, mas perdemos as eleições.

As mobilizações em defesa da educação e a resistência à cartilha neoliberal do governo Yeda me faziam ter mais certeza da importância de se ter lado. Assim como ficava mais clara a importância de estarmos organizados coletivamente para mudar o mundo.

No ano seguinte, ano que me tornaria presidente do Grêmio do Julinho, fiz a opção de deixar ser apenas uma petista para me tornar do PT. Optei por me filiar a um projeto político que mudava o país, que organizava os trabalhadores e acolhia os movimentos sociais. Carregava comigo a certeza que não poderia estar em outro lugar!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Pode uma jovem negra ser deputada?







Faz algum tempo tenho tido vontade de relatar aqui a experiência que estamos vivenciando, mas tenho tido pouco tempo para escrever. Alguns meses atrás decidimos que nossa organização (PT Amplo – tendência interna do PT) deveria ter uma candidatura capaz de dialogar com os diversos setores dos movimentos sociais, uma candidatura jovem, apresentando uma pauta política capaz de provocar debates fundamentais para o aprofundamento das mudanças promovidas pelo nosso projeto político. Quando falo nós, cito um coletivo que compreende a centralidade da disputa de valores na sociedade. 

Falando pode parecer simples, mas é uma tarefa ousada. Mas isso não é um problema, pois coragem é algo que realmente não nos falta. Ousamos porque não aceitamos dissociar o processo eleitoral dos nossos sonhos, pois a cada passo que damos somos desafiados a superar este modelo de sociedade. Para nós um mandato deve ser um instrumento, uma ferramenta para fazer as disputas necessárias. 

É inegável que nestes 12 anos os governos do PT tenham mudado a cara do Brasil. Vivemos em 2014 um outro país comparado ao que encontramos em 2002. Provavelmente muitos de vocês que estão lendo são frutos das políticas sociais que qualificaram radicalmente a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras. 

Eu inclusive, minha mãe é empregada doméstica e criou suas duas filhas sendo mãe solteira. Ela teve nesta década a oportunidade de ver suas duas filhas entrando na Universidade pública.  Minha irmã, Luanda, já está concluindo seu doutorado na Unicamp (Campinas-SP) e eu estou na segunda parte do meu curso de jornalismo na UFRGS. 

Temos que reivincar com orgulho essa era de transformações, mas é fundamental que apresentemos uma nova agenda. É urgente debatermos o futuro! 

Por isso falamos de sonhos, porque é necessários rompermos a lógica da reprodução da ordem vigente, falamos em sonhos para não perdermos a nossa capacidade critica e contestadora que nos faz avançar. Para expressar isso, escolhemos uma jovem negra para disputar uma cadeira para Assembleia Legislativa do Rio Grande do sul, um estado que nunca teve uma mulher negra como deputada. 

Sabemos que o rosto do nosso projeto se assemelha ao de milhares de novos atores sociais impulsionados pela década de mudanças no Brasil. Portanto, é especialmente com estes que nos desafiamos a dialogar.

A caminhada da disputa eleitoral não é fácil, o poder econômico encolhe a disputa. Com isso acabamos tendo um parlamento tão monocromático, masculino e das classes sociais mais favorecidas. Mas para aqueles que se dispõe a mudar o mundo, o que é enfrentar esta disputa?